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Especial Dia das Mães: Antes de ser mãe, eu sou mulher

Durante os 365 dias do ano, somos bombardeadas de mensagens sobre a maternidade. E o padrão dos textos, poemas e frases aclamadas é quase sempre o mesmo: romântico. Mas nós sabemos que essa não é a realidade!

Nesse Especial Dia das Mães, o Blog da Grão de Gente traz uma nova proposta — falar sobre a maternidade real. Confira o relato emocionante da Cauana Donat, professora de história, redatora do site “Pra falar de filho” e mãe do Pedro.

Especial Dia das Mães

Especial Dia das Mães: Relato de Cauana Donat

“Antes de ser mãe, eu sou mulher.” Escutei essa frase algumas vezes saindo da boca da minha mãe. Em momentos pontuais da minha adolescência, quando questionava algo ou nas conversas sobre o papel e as funções que ela exercia como mãe, vez ou outra a frase surgia. Não sei se como um recado, ensinamento para os mais novos ou como uma forma dela relembrar que, atrás daquela penca de atribuições e responsabilidades, existia uma pessoa — no caso, uma mulher. Naquela época, essa frase não fazia muito sentido pra mim. Hoje, faz todo.

Tive meu filho aos 29 anos. Antes dele nascer, minha vida social era fantástica. Tínhamos um grupo de amigos que todo final de semana se reunia pra fazer alguma coisa. Cinema, bar, restaurante, casa de alguém, show de música. Os finais de semana eram sempre agitados, e ficar em casa era uma opção, não uma imposição. Durante a semana, eu trabalhava em outra cidade e quase todos os dias estava fora. Dirigia horas e horas escutando minhas músicas preferidas, almoçava nos restaurantes que gostava e era livre pra ir e vir quando, onde e como eu quisesse.

Antes do Pedro nascer eu sabia que a minha vida ia mudar. Nunca me enganei pensando que as coisas seriam as mesmas com o acréscimo de uma criança na minha rotina, mas dizer que elas mudaram não é o suficiente pra descrever tudo que a maternidade fez comigo. Uma vez escutei que quando nasce uma criança, nasce uma mãe, mas comigo as coisas não foram assim. O nascimento do meu filho representou a morte da antiga mulher que eu era. Eu sei o quanto isso soa pesado, mas foi exatamente assim que me senti. A mulher livre que eu era, pra ir, vir, escolher, fazer e ser o que quisesse, deixou de existir no momento em que Pedro veio ao mundo. A mulher (não tão) certa das coisas que queria, gostava, pensava e lutava, morreu na hora em que Pedro deu seu primeiro grito agudo, num choro pranteado por ele e por mim. No lugar dela, uma nova nasceu.

Nos primeiros meses de vida do meu filho, as transformações físicas, sociais e psicológicas que eu passei foram brutais. Meu corpo não era mais o mesmo. Diferentes marcas, formas e curvas compunham o novo corpo que eu custava a entender e aceitar. Aceitação essa que não só eu tive dificuldade em passar, mas todas as pessoas que me cobravam o peso e as medidas que eu tinha antes de ser mãe. Minha vida social deixou de existir. E pensando bem, eu também deixei de existir como um ser social. As pessoas passaram a me chamar de mãe. Na rua, no mercado, nas consultas do pediatra, nos grupos de maternidade. Eu deixei de ser alguém com nome, sobrenome e endereço pra me tornar “a mãe do Pedro”. Os amigos dos passeios de final de semana sumiram. As músicas preferidas, os livros favoritos, os gostos pessoais e a liberdade também. Eu me afundei na nova função que a vida tinha me dado, e por muito tempo não soube ser outra coisa além de mãe.

Especial Dia das Mães

Crédito: Debora Takahashi

Por muito tempo permiti que o mundo girasse somente em torno do meu filho, e que a frase que tantas vezes escutei da minha mãe ficasse adormecida na minha memória. Deixei meu lado mulher pra trás e me tornei mãe. Intensa, insana, entregue. E a maternidade, que tanto me tirou, também me transformou. Com o sono regulado, a introdução alimentar entrando nos eixos e a autonomia do bebê que se tornava criança, pude perceber, aos poucos, que por trás daquele papel e daquele turbilhão de funções e responsabilidades existia alguém, e que antes de ser mãe eu precisava ser mulher.

Todos os dias, de jeitos mais sutis ou avassaladores, o Pedro me ensina sobre ele, sobre mim e sobre o mundo. Ele me faz sentir o maior e mais genuíno amor que a vida pode me dar, me ensina que, além de mãe, eu devo ser muitas outras. E que as mudanças que passei com o seu nascimento — e o meu renascimento — são imensas, mas que a maternidade não é algo que deva me definir ou limitar, mas me transformar. Sempre.

Especial Dia das Mães

Crédito: Debora Takahashi

 

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