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Dia Mundial de Conscientização do Autismo: Entender para incluir

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado em 2 de abril, é uma data que marca a luta de mães, pais, famílias, professores e amigos de pessoas que sofrem de diferentes tipos de transtornos que fazem parte do mesmo espectro. Hoje, sabemos que o autismo se manifesta em diferentes graus, e por isso é tão necessário entendermos mais sobre ele para que possamos compreender a visão de mundo destas pessoas e incluí-las na sociedade.

O diagnóstico de autismo

Mas como diagnosticar alguém com autismo? Quais são os sintomas? É preciso observar o comportamento dos filhos desde pequenos, e a qualquer sinal de “regressão” do aprendizado, ficar atento. Mas nem sempre o diagnóstico vem com rapidez. Para mães como a professora e doutora Sandra Lia Rodrigues, a “Busca de um Diagnóstico”, título de seu livro, pode ser exaustiva, chegando a demorar anos.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Capa do livro A Busca de um Diagnóstico, escrito por Sandra Lia Rodrigues, no qual ela relata a história de um personagem autista inspirado em seu filho.

Para que seu filho fosse diagnosticado com autismo, foram precisos 17 anos. Ela fala sobre a persistência e pesquisa necessárias para que finalmente chegasse a um acordo com os médicos. “Eu percebia que ele era autista desde pequeno. Tive muitas controvérsias da área médica, ele chegou a ter quatro ou cinco diagnósticos ao longo da vida, e eu sempre questionei muito”. Até os médicos e a mãe concordarem, seu filho recebeu diferentes diagnósticos: “Síndrome de Savant, transtorno semântico pragmático, TOC, esquizofrenia leve, síndrome de Asperger… Foram vários. Quando me passavam um novo diagnóstico, eu corria para estudar, e percebia que as características que ele tinha não fechavam naquela descrição. Eu acredito que a medicina ainda tem um percurso muito longo a percorrer sobre o autismo”.

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Gustavo (esq.) de 23 anos tem autismo. Na foto, está ao lado da mãe Sandra Lia e do irmão Gabriel, de 25 anos.

Em seu livro, Sandra Lia relata as dificuldades do personagem Pedro no que diz respeito à socialização e inclusão social. A história é baseada nas vivências de seu próprio filho, Gustavo, que possui um grau leve de autismo, segundo a mãe. Para ela, o aprendizado é constante. “Uma pessoa sempre transforma a outra. Quando alguém nasce diferente do que a gente espera, as mudanças são fundamentais. Por exemplo: A gente tem condição de perceber o outro de uma forma mais profunda. O nosso respeito aumenta, nossa resiliência, conseguir segurar uma barra mais forte… Você se preocupa mais com as pessoas. São essas coisas que fazem você ter um cuidado maior”, conta Sandra Lia.

Compreender para incluir

A mãe e autora acredita que a melhor forma de incluir pessoas com autismo na sociedade, oferecendo todo o apoio que elas precisam é mais que essencial. Mesmo assim, ainda temos muito a trabalhar para chegarmos no ideal. “A inclusão está no papel, e mesmo assim deixa muito a desejar. Na realidade, a maioria das pessoas não faz a inclusão. existe um processo escolar, existe uma lei, mas a sociedade exclui, e não está acostumada a lidar com o diferente. É como se alguns professores, por exemplo, tivessem que fazer um grande esforço para incluir os alunos, quando na verdade isso deveria ser um processo natural”, desabafa a professora, que defende que a educação é chave para uma sociedade mais justa e inclusiva para os autistas.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Sandra Lia oferece atendimento familiar para pais de autistas, e conta que sempre que se depara com pessoas angustiadas após o diagnóstico, pede para que olhem para trás e vejam como evoluíram em relação ao passado. Ela conta que o segredo é olhar com otimismo, sempre pensando que “Já foi mais difícil antes, e que amanhã será mais fácil do que hoje”, são as palavras de encorajamento que ela oferece para quem lida diariamente com o autismo.

“Por outro lado, de nada adianta auxiliar os pais a lidar com otimismo frente a essa situação se esses pais não conseguirem vivenciar um certo luto, pois é natural que se sintam tristes pelo fato de seu filho ter nascido diferente do filho imaginado. Torna-se, então, fundamental que essas questões sejam observadas, sempre pontuadas e trabalhadas em terapia”, ela diz.

 

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