a
HomeGravidezO que o Natal nos ensina?
natal
natal
s

O que o Natal nos ensina?

Esse é só mais um texto de Natal, mas pode ser que ele toque o seu coração, pra variar. Porque quando eu pensei em escrever esse texto, pensei exatamente em você. Você mesmo, que é tão diferente e parecido comigo ao mesmo tempo.

Esse ano, a gente fez um montão de coisas lindas, das quais nos orgulhamos, e cometemos um montão de erros, pra variar. Por isso, agora estamos naquela fase em que ficamos repassando tudo isso na cabeça e fazendo uma espécie de balanço, que geralmente nos deixa culpados e emotivos.
Dessa vez, no entanto, queria tentar uma coisa diferente, pra dar uma variada.
Pensei em dar uma ignorada nesse ano de 2019 e olhar com mais calma para os anos que já se foram, que já estão mais amadurecidos, tranquilinhos e descansados na nossa memória.
Foi daí que eu percebi que nós dois, eu e você, provavelmente já tivemos Natais muito parecidos.
No Natal do ano passado, na casa da minha sogra, ceiamos por volta das nove da noite e depois ficamos assistindo televisão. Ficamos ali, papeando, como se fosse uma noite comum. Durante o ano, tivemos uns problemas sérios de saúde na família. Então, para nós, foi maravilhoso só estar na companhia um do outro, em paz. Nós tínhamos atravessado um ano difícil e era um momento perfeito para o descanso. Pode ser que você já tenha passado um Natal assim também. Esse Natal me ensinou que tudo passa.
E os Natais da infância? São tão diferentes e tão igualmente especiais! Teve um Natal que a minha mãe deixou um frango assado pronto e foi trabalhar. Ela era enfermeira e tinha plantão na pediatria de um hospital. Eu e meus irmãos choramos quando ela saiu, mas ela parou no portão de casa pra nos dizer o quanto estava feliz porque os filhos dela estariam em casa, com saúde.
No dia seguinte, chegou com vários potes de plástico cheios de coisas gostosas que os pais dos pacientes levaram. Esse Natal me ensinou a dar importância ao que realmente importa. Numa outra véspera de Natal, tomei uns cascudos na rua porque fiquei fazendo malcriação na rua por causa de uma boneca. Esse Natal me ensinou que dinheiro não nasce em árvore e que era melhor obedecer à minha mãe.
natal
Eu só fui ter árvore de Natal, dessas que a gente compra mesmo, quando eu casei. Lá em casa, a gente fazia a árvore cada ano de uma coisa, de cone de cartolina, de galho de árvore e até de latinha encapada de papel. Tem gente que prefere não montar e eu conheço alguém que não enfeita a casa para não ficar triste, porque a árvore de Natal lhe traz lembranças fortes demais. Eu aprendi que cada um é feliz à sua maneira e não é legal impor o nosso jeito de ser feliz.
Na adolescência, os Natais ficam meio entediantes, já reparou? Passei uns Natais na casa de uma tia e meus primos me ensinaram o que era bullying antes mesmo desse termo ser inventado. A casa era pequena e as crianças comiam no corredor. Todo ano tinha a mesma coisa pra comer e eu simplesmente amava! Na década de 90, era o máximo ter strogonoff e batata chips, além dos pratos natalinos tradicionais. Esses Natais me ensinaram sobre respeito ao próximo e às tradições de uma casa.
A gente tem que tomar cuidado para não gourmetizar, megalopolizar ou generalizar o Natal. Famílias grandes em volta de mesas enfeitadas com roupas e pratos bonitos. Também é Natal se não tiver nada disso, e é lindo!
Não dá pra competir com os Natais que os nossos avós e bisavós contam. Toda festa que eles descrevem aparentemente foi uma festa sensacional! Um monte de nomes de parentes que a gente não conhece, amigos, vizinhos. Não precisamos buscar esse Natal também. Ele já aconteceu, faz parte da história dos nossos antepassados. De alguma forma, está em nós e é possível sentir sua alegria.
O primeiro Natal depois de uma perda, não é fácil. Esse Natal, eu também já passei. Difícil segurar as lágrimas quando chega a hora de abraçar todo mundo, porque já não encontramos todos os abraços ali. Esse Natal nos ensina a sentir saudade e a superar.
E aquele primeiro Natal na casa do namorado? Esse foi o Natal que eu mais demorei pra me arrumar. Cheguei lá achando que seria tudo diferente da minha casa, mas descobri que todas as famílias têm suas histórias porque aquela noite foi uma choradeira que só. E eu fiquei sozinha na sala, pensando que eu devia ter ficado era com a minha mãe.
No outro ano, estava brigada com o namorado, decidi viajar. Fui pra casa da família de uma amiga em outra cidade. Natal bonito, mesa decorada, casquinha de siri. Mas, eu senti que devia ter ido era pra cidade da minha mãe. Esse Natal me ensinou onde era meu lugar.
Depois de casada, passamos um Natal na fazenda com toda a família do meu marido. Muitos primos, tios e tias. Descobri que a paz também se encontra na cozinha secando uma montanha de louça enquanto se bate papo. Esse Natal me fez perceber que eu podia ter mais de um lugar, e que preparar um dos pratos principais da Ceia é uma conquista que a gente vai ganhando aos poucos.
Nenhuma dessas noites se compara à alegria que foi estar grávida no Natal. Eu estava enjoada, com frio, com uma roupa que mais parecia um pijama, não conseguia comer nada, mas nada no mundo me faria mais feliz. Se eu chorava com comercial de margarina, imagina quando deu meia-noite?! Esse Natal me ensinou sobre amor e fé.
natal
Depois de passar tantos Natais pensando em nós mesmos, nos pais, irmãos, avós e primos, chegam os filhos. Dias inesquecíveis cheios de sonho, quando a gente faz de tudo para garantir o melhor Natal pra eles. E olha que eu não estou falando de presentes! Esses Natais têm me ensinado a perdoar.
Estou desconfiada de que, ao longo da nossa vida, cada Natal nos proporcione um pouco do que o aniversariante quis nos ensinar.
Que esse seja o seu melhor Natal!
Compartilhe:
Classifique este artigo

Blog Grão de Gente é um bate papo diário sobre o mundo da maternidade! O Blog da maior loja virtual de enxoval e decoração para quarto de bebê do Brasil.

redacao@bloggraodegente.com.br

Sem comentários

Deixe um comentário